Unicamp realiza fórum sobre esporte e suas múltiplas periferias

Texto: Ana Ornelas | Fotos: Dário Crispim

As quadras esportivas estão por toda parte, mas nem todos conseguem ocupá-las da mesma forma. O esporte, embora celebrado como direito e ferramenta de inclusão, ainda encontra problemas que atravessam gênero, raça, território e classe social. É por isso que, no dia 13 de agosto, a partir das 9h, no Centro de Convenções da Unicamp, será realizado o Fórum Permanente “Esporte: as quadras e suas periferias”. Organizado pelas professoras Helena Altmann, Olívia Ribeiro e Daniele Medeiros, todas vinculadas à Faculdade de Educação Física (FEF), o evento convida a refletir sobre como o esporte acontece em diferentes periferias: das cidades, das quadras, das instituições, das práticas educativas e das identidades.

Segundo a professora Helena Altmann, o tema surgiu da necessidade de explorar o esporte para além de sua dimensão competitiva ou profissional. “Queremos pensar a ideia de periferia de forma ampliada, não só como um lugar distante do centro urbano, mas como todos esses espaços e corpos que ocupam as margens da quadra, da escola, da cidade e da universidade”, afirmou.

O Fórum traz mesas e conferências que abordam práticas esportivas em territórios periféricos e instituições como as escolas públicas, universidades e clubes de base. “As margens da quadra também são simbólicas. Em muitas aulas de educação física, as meninas permanecem às bordas sem se envolver com as atividades. Isso também acontece com corpos trans, pessoas negras, indígenas ou de baixa renda, que nem sempre se sentem autorizadas a ocupar esse espaço”, explicou Helena.

Helena Altmann, professora da FEF, diz que o tema surgiu da necessidade de explorar o esporte para além de sua dimensão competitiva ou profissional.

Ela também chama atenção para a chamada “periferia institucional” do esporte, especialmente nas escolas e universidades. “A educação física ainda ocupa um lugar pouco valorizado no currículo escolar, especialmente no ensino médio, já que não é exigida nos vestibulares. Dentro da universidade, o esporte também circula em horários periféricos e, muitas vezes, é organizado pelos próprios estudantes, como é o caso das atléticas. Ainda assim, tem papel central na formação de vínculos e identidades”, observou.

A programação do evento começa às 9h com a mesa “Nas periferias urbanas: outros espaços esportivos”, com participação da pesquisadora Aira Bonfim (Repertório Cultural) e do professor Enrico Spaggiari (Unimontes), sob mediação da própria Helena Altmann. Em seguida, às 10h45, ocorre a mesa “Nas periferias institucionais: outras práticas competitivas”, com Beatriz Leme Passos Carvalho e Harian Braga, ambas da Prefeitura de Campinas, sob mediação da professora Olívia Ribeiro.

No período da tarde, às 14h, o debate segue com a mesa “Nas quadras: quando a periferia se faz um coletivo”, com Bernardo Gonzales (Sport Clube T Mosqueteiros) e o professor Felipe Tavares Paes Lopes (FEF), com mediação de Daniele Medeiros. O evento se encerra com a conferência “Esporte de mulheres na América Latina: quando a periferia se levanta”, ministrada pela professora Rosa López de D’Amico, da Venezuela, especialista internacional em esporte e gênero.

Para a professora, promover esse tipo de debate dentro da universidade também é uma forma de reconhecer outras experiências esportivas e dar visibilidade a práticas muitas vezes ignoradas pelas políticas públicas. “A grande maioria das pessoas que praticam esportes não será atleta de alto rendimento, e tudo bem. Ainda assim, o esporte precisa ser acessível, valorizado como espaço de lazer, saúde, expressão e cidadania.”

O evento é gratuito e aberto ao público. As inscrições devem ser feitas através do link.

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