Fórum na Unicamp debate museus universitários e propõe integração de acervos 

Texto: Ana Ornelas | Alex Calixto (SEC Unicamp)

A discussão entre memória, pesquisa e sociedade esteve no centro do Fórum Especial “Museus Universitários: Conexões, Sistemas e Perspectivas”, realizado na última quinta-feira, 23, no Centro de Convenções da Unicamp. Promovido pela Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), o encontro reuniu especialistas, gestores e representantes institucionais para discutir os caminhos e desafios dos museus universitários no Brasil, com foco na criação da Rede de Museus e Coleções da universidade.

Na abertura, a pró-reitora da ProEEC, Sylvia Furegatti, destacou o memento histórico do evento, resultado de um processo construído ao longo de anos. Segundo ela, a consolidação de iniciativas como essa depende de diálogo contínuo. “É um dia muito especial, gestado há pelo menos oito anos. O museu exige muita conversa, negociação e escuta para que consiga representar sua diversidade”, afirmou. A pró-reitora também ressaltou o papel dos museus como espaços privilegiados de extensão, entendendo-os como um legado que universidades públicas podem oferecer à sociedade.

A pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp, Sylvia Furegatti.

A importância desses espaços também foi enfatizada pelo reitor da Unicamp, César Montagner, que destacou os museus universitários como estruturas que articulam ensino, pesquisa e extensão. “Além de preservarem a memória, esses espaços contribuem diretamente para a produção e a difusão do conhecimento, reforçando o papel da universidade na sociedade e a necessidade constante de valorização e financiamento dessas iniciativas”, disse.

Representando a Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a diretora de preservação do patrimônio cultural, Mariana de Souza Rolim, chamou atenção para a diversidade de formatos possíveis na área. “Nem toda iniciativa precisa necessariamente se configurar como museu, podendo assumir outras formas, como espaços culturais ou coleções musealizadas, o que amplia as possibilidades de organização e atuação institucional”, afirmou.

A importância desses espaços também foi enfatizada pelo reitor da Unicamp, César Montagner.

Ao longo do dia, as mesas de debate reuniram representantes de diferentes universidades e instituições culturais, promovendo trocas sobre experiências de gestão, organização de acervos e formação de redes. A parte da tarde, marcada por maior interação com convidados externos, trouxe contribuições importantes para pensar os desafios práticos da criação de uma rede de museus, especialmente no que diz respeito à comunicação entre as instituições, à gestão da diversidade de acervos e às fronteiras entre museus, arquivos e bibliotecas.

Em avaliação após o evento, Sylvia destacou a expressiva participação do público e o papel do fórum na retomada de espaços permanentes de debate dentro da universidade. “Encontros como esse são fundamentais para fortalecer a aproximação entre universidade e sociedade, além de impulsionar discussões sobre internacionalização e temas contemporâneos. O contato com experiências externas trouxe alertas importantes, permitindo que a Unicamp avance já atenta aos desafios enfrentados por outras redes”, contou.

Representando a Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, esteve a diretora de preservação do patrimônio cultural, Mariana de Souza Rolim.

Outro ponto evidenciado durante o fórum foi a diversidade de acervos existentes na própria universidade, muitas vezes ainda pouco conhecida internamente. Nesse sentido, a criação da Rede de Museus e Coleções aparece também como uma estratégia de dar visibilidade a esse patrimônio, além de integrá-lo de forma mais estruturada às atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Com a realização do fórum, a Unicamp avança na consolidação de uma proposta institucional que busca integrar seus acervos e fortalecer políticas culturais e científicas. A expectativa é que os debates iniciados no encontro contribuam para a construção de uma rede atenta às especificidades locais, mas alinhada às discussões nacionais e internacionais, ampliando o acesso da sociedade ao patrimônio produzido no ambiente universitário.

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