Texto: Ana Ornelas | Foto: Divulgação
Poucos artistas brasileiros transitaram com tanta naturalidade entre diferentes linguagens quanto Darcy Penteado. Das artes visuais à literatura, do teatro à atuação política, sua trajetória é marcada por deslocamentos e pela recusa de se limitar a uma única forma de expressão. É a partir dessa diversidade que nasce a exposição “Darcy Penteado – 100 anos de história (1926–2026)”, em cartaz no CIS-Guanabara, espaço da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), até o dia 30 de abril. A visitação é gratuita e aberta das 9h às 17h.
Com curadoria de Oscar D’Ambrosio, a mostra reúne 12 artistas contemporâneos convidados a construir leituras próprias sobre a obra de Penteado. O projeto foi desenvolvido de forma coletiva, a partir de encontros e discussões que orientaram os caminhos criativos de cada participante. “A ideia desse projeto é resgatar todas as facetas do Darcy Penteado. Nós estudamos sua trajetória com o grupo de artistas que integra a exposição e, a partir dessas conversas, cada um escolheu uma faceta para desenvolver”, explicou o curador.
A variedade das obras aparece não apenas como tema, mas como estrutura da exposição, orientando a escolha das linguagens visuais. “O ponto central da exposição era justamente mostrar diversidade. Queríamos que os trabalhos fossem diferentes entre si, porque o Darcy Penteado atuou em várias áreas ao longo da vida. Havia uma preocupação clara de que as obras não seguissem a mesma linguagem ou temática, mas que explorassem materiais, abordagens e questões distintas”, contou Oscar.

O resultado é uma mostra marcada pela pluralidade de linguagens, técnicas e temas. Estão presentes obras em pintura, arte têxtil, vídeo-arte e trabalhos que dialogam com tecnologias contemporâneas, como a inteligência artificial.
Segundo Oscar, alguns eixos temáticos recorrentes na obra de Penteado também aparecem reinterpretados pelos artistas, criando aproximações entre diferentes tempos e experiências. “Parte dos artistas se volta para a infância, que era uma temática importante para o Darcy Penteado, especialmente nas pinturas ligadas a passeios e memórias do campo. Outro viés recorrente é o jogo, o xadrez aparece com frequência na obra dele, e alguns artistas exploram justamente essa ideia em seus trabalhos.”
Além das obras, a exposição também apresenta cadernos e livros de artista produzidos especialmente para a mostra, ampliando o acesso aos processos criativos. “Cada artista foi convidado a produzir um caderno, entendido como um espaço mais livre, de anotações, e/ou um livro de artista, que já tem uma estrutura com começo, meio e fim. Esses materiais estão expostos em mesas, permitindo ao público acessar de forma mais íntima os processos criativos”, contou o curador.
Reunindo artistas de diferentes cidades, a exposição propõe um diálogo entre passado e presente, evidenciando como a produção de Darcy Penteado segue presente na arte contemporânea.