Mostra “Entre Territórios” leva cinema indígena à Casa do Lago

Texto: Ana Ornelas | Foto: Christian Braga

A luta dos povos indígenas permanece e se reafirma desde a colonização do Brasil. É por isso, e por tantos outros motivos, que celebrar o Mês dos Indígenas dentro da universidade é importante para evidenciar o protagonismo dos povos e territórios. Foi pensando nisso que a Diretoria de Cultura (DCult), da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC) da Unicamp, apresenta, no dia 7 de abril, a mostra audiovisual “Entre Territórios: Memórias, Presença e Resistência”, na Casa do Lago. Entre 14h e 22h, serão exibidos quatro filmes com momentos de bate-papo e Feira de Artesanato Indígena. A atividade é gratuita e aberta ao público.

Segundo Danielle de Carla Divardin, da DCult e responsável pela ação cultural, a ideia da mostra surgiu a partir do filme “A Queda do Céu”. “Eu já tinha visto esse filme passando em festivais. Conversei com o professor Noel dos Santos Carvalho, do Instituto de Artes (IA), que é responsável por essa parte do cinema na DCult, e ele achou legal a ideia. A partir disso, começamos a buscar os direitos de exibição e fomos ampliando a programação”, explicou.

Cena do filme “A Queda do Céu”, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha.

Para isso, a equipe contou com a ajuda do estudante Naldo Tucano na curadoria de filmes produzidos por povos originários. “A minha preocupação sempre foi essa: abrir espaço para que os próprios indígenas falem sobre suas experiências e sobre os temas apresentados nos filmes. Como a gente tem essa presença indígena na universidade, quisemos trazer isso para não ser uma coisa programada por não indígenas falando de indígenas. O Naldo colaborou com a gente numa espécie de curadoria informal, sugerindo filmes e contribuindo para a escolha da programação”, contou Danielle.

Essa curadoria foi pensada para abordar duas temáticas principais. Para Danielle, era importante que a questão do indígena na universidade estivesse presente. “É imprescindível falarmos dessa questão do deslocamento e de como é a vida depois que o estudante sai da aldeia ou da comunidade para estudar. Muitos relatam a solidão e os desafios dessa adaptação. Além disso, o outro eixo que queremos abordar é a relação dos povos indígenas com o meio ambiente e com seus territórios, especialmente diante das ameaças que essas comunidades enfrentam.”

Na parte da tarde, das 14h às 17h, a programação conta com a exibição de dois curta-metragens e um longa, sendo eles: “Entre utopias e realidades” (2023), de Jeovane Ferreira Lima; “Sukande Kasáká – Terra Doente” (2025), de Kamikia Kisedje e Fred Rahal; e “Nãsêpôtiti: rio, terra e luta Paraná”, de Hebe Rios, respectivamente. Após os filmes, haverá um bate-papo. A mostra oferece ainda uma Feira de Artesanato Indígena, das 17h às 19h.

Para finalizar o dia de celebração, das 19h às 22h, será exibido o vencedor de mais de 25 prêmios nacionais e internacionais, “A Queda do Céu”, inspirado no livro homônimo do líder yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo Bruce Albert, seguido de um bate-papo com a diretora do longa, Gabriela Carneiro de Cunha. 

Para conhecer a programação completa, acesse o livro on-line da mostra.

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