Denise Stoklos transforma Mary Stuart em reflexão sobre poder e liberdade

Texto: Ana Ornelas | Fotos: Ariel Cavotti

A quem interessa conhecer a história da antiga rainha da Escócia, Mary Stuart? Para Denise Stoklos, que apresenta a peça com o nome da monarca há quase 40 anos, a trajetória de Mary ainda pode servir como metáfora para reflexões sobre poder, opressão, liberdade e modelos políticos no mundo. Apenas com uma roupa preta e uma cadeira, Stoklos performa a vida da rainha e sua relação com a prima Elizabeth I, rainha da Inglaterra, alternando entre as duas personagens no contexto da prisão de Mary, que culminou em sua execução em 1587. 

Apesar de estar em cartaz há quase quatro décadas, a recepção do público mostrou como ela ainda se mantém atual. O teatro da ADunicamp, onde a peça foi apresentada, lotou e chegou a reunir pessoas sentadas no chão e nas escadas. Durante a encenação, Stoklos foi capaz de provocar risadas frequentes na plateia, composta por pessoas de diferentes idades. Ao final do espetáculo, o público aplaudiu de pé por vários minutos, levando a artista a retornar ao palco para agradecer mais uma vez.

De maneira cômica, a atriz traz ao público o contexto histórico dos acontecimentos que compõem a peça e, no espaço do teatro contemporâneo, faz paralelos entre o século XVI e situações políticas atuais. Entre caras e bocas expressivas, a atriz demonstra as discrepâncias das monarcas que fizeram com que Mary fosse mantida em cativeiro por 19 anos, após tentar se refugiar na Inglaterra. Assim, presa pela própria prima, ela começa a escrever cartas e cartas, pedindo por sua liberdade.

O teatro da ADunicamp lotou e chegou a reunir pessoas sentadas no chão e nas escadas. (Foto: Dário Crispim)

Figura central da história europeia do século XVI, Mary Stuart foi coroada rainha da Escócia ainda na infância e teve uma trajetória marcada por disputas políticas e religiosas. Após abdicar do trono escocês em meio a conflitos internos, buscou refúgio na Inglaterra sob a proteção de sua prima Elizabeth I. Em vez disso, acabou sendo mantida prisioneira, acusada de participar de conspirações contra a monarca inglesa.

Em certos momentos, Stoklos quebra a quarta parede e conversa diretamente com o público. “Se os senhores saíram de suas residências e deixaram seus entes queridos, seus livros, e vieram ao teatro para refletir sobre liberdade; e se a única coisa que tenho neste momento, por causa do tema da peça, é expressar meu desejo de liberdade por uma carta… Ah, então não tenha dúvida, minha prima: eu te escrevo uma carta a mais!”

Ao longo da apresentação, Stoklos alterna rapidamente entre as duas monarcas, mudando postura corporal, entonação de voz e expressão facial para marcar as diferenças entre as personagens. Em alguns momentos, a atriz narra acontecimentos históricos diretamente ao público; em outros, assume a perspectiva das rainhas, criando um diálogo dramático e humorístico.

Denise Stoklos é conhecida por desenvolver uma linguagem cênica própria, baseada no chamado Teatro Essencial.

Reconhecida por sua trajetória no teatro brasileiro e internacional, Denise Stoklos é conhecida por desenvolver uma linguagem cênica própria, baseada no chamado Teatro Essencial, no qual o corpo do ator e poucos elementos de cena conduzem a narrativa. Em “Mary Stuart”, essa proposta aparece de forma clara, sustentando a encenação principalmente por meio da expressão corporal e vocal.

Desenvolvido por Stoklos ao longo de sua carreira, o Teatro Essencial propõe uma encenação baseada na presença física do ator e na economia de recursos cênicos. Nesse formato, o corpo, a voz e o ritmo da interpretação tornam-se os principais instrumentos narrativos, dispensando cenários elaborados e privilegiando a relação direta entre artista e plateia.

A apresentação integrou a programação cultural de abril da Diretoria de Cultura (DCult) da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC) da Unicamp. As atividades buscam ampliar o acesso da comunidade universitária e do público externo a diferentes manifestações artísticas, reunindo espetáculos, oficinas e encontros culturais ao longo do ano.

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