Unicamp sedia 4º Encontro de Cultura e Extensão das universidades estaduais paulistas


Texto: Ana Ornelas | Fotos: José Irani e Dário Crispim

Realizado nos dias 4 e 5 de maio, no Centro de Convenções da Unicamp (CDC), o 4º Encontro de Cultura e Extensão das universidades estaduais paulistas reforçou a articulação entre Unicamp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) em torno dos desafios atuais da extensão universitária. Com debates sobre internacionalização, acessibilidade, inserção curricular e produção compartilhada de conhecimento, o encontro reuniu mais de 200 participantes entre docentes, estudantes, gestores e profissionais de diferentes instituições. Organizado pela Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), o encontro deu continuidade ao movimento de cooperação entre as três universidades estaduais paulistas, consolidado nos últimos anos.

Ao fazer um balanço do evento, a pró-reitora de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp, Sylvia Furegatti, destacou a importância da troca coletiva como parte essencial da construção extensionista. “Quando a gente se disponibiliza para aprender, para receber, para ouvir e para trocar, fazemos um movimento muito importante para a melhoria da qualidade de vida, da formação e da participação social”, afirmou. 

Na abertura do evento, a pró-reitora também ressaltou o papel democrático da extensão universitária. “Renovar a importância democrática e republicana dos nossos processos é algo que cabe à extensão”, afirmou. Para Sylvia, a consolidação da extensão universitária passa pela criação de redes permanentes de diálogo e cooperação. “A ideia aqui é construir redes, compartilhar experiências e pensar juntos caminhos para a formação dos estudantes”, disse. 

O pró-reitor da Unesp, Raul Borges Guimarães, também enfatizou a necessidade de fortalecer os fundamentos teóricos e metodológicos da extensão universitária. “A extensão não é uma via de mão única. Ela é uma forma de produzir conhecimento compartilhado”. Ao retomar referências como Paulo Freire, Raul destacou que a extensão rompe com a lógica de transferência unilateral de conhecimento e amplia o diálogo entre universidade e sociedade. 

Os Grupos de Trabalho (GTs) serviram como espaço de troca e diálogo.

Representando a USP, o pró-reitor Amâncio Jorge Silva Nunes de Oliveira destacou desafios relacionados à inserção da extensão nos currículos da graduação e à criação de mecanismos institucionais de valorização das atividades extensionistas. “Nós ainda não encontramos formas efetivas de incentivo na carreira docente que valorizem a extensão”, afirmou. 

Amâncio também chamou atenção para um desafio recorrente ao longo de todo o encontro: como aprimorar os mecanismos de avaliação das ações extensionistas. “Nossa métrica ainda é muito limitada, focada na participação em eventos. Precisamos avançar para medir o impacto real da extensão na sociedade”, disse. 

A sistematização de dados e a consolidação de métricas em torno da Extensão Universitária com parte fundamental da valorização das ações extensionistas nas avaliações docentes e institucionais atravessaram os debates realizados ao longo dos dois dias de encontro.  Esse tema apareceu especialmente nos Grupos de Trabalho (GTs), que reuniram docentes, estudantes, gestores e profissionais em discussões voltadas às experiências práticas e aos desafios enfrentados pelas universidades na consolidação das ações extensionistas.

A necessidade de construir mecanismos mais consistentes de avaliação e mensuração do impacto social da extensão apareceu de forma recorrente nas mesas e nos Grupos de Trabalho (GTs), assim como os desafios relacionados à curricularização e à valorização institucional das ações extensionistas no âmbito das universidades públicas. 

No segundo dia do encontro, a Mostra de Extensão exibiu  iniciativas desenvolvidas na Unicamp, reunindo programas vinculados à ProEEC e ações apoiadas por editais da pró-reitoria desenvolvidos em diferentes áreas da universidade. A programação também contou com mesas dedicadas à acessibilidade e inclusão, além de debates sobre inserção curricular da extensão na graduação.

Gabriella Andreeta Figueiredo durante a mesa “Acessibilidade e Extensão: Universidade Inclusiva”.

Cooperação latino-americana 
A Associação de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), rede constituída por universidades públicas de sete países da América do Sul, foi tema das discussões sobre internacionalização da extensão. O secretário executivo da associação, Fernando Sosa, destacou o papel da cooperação acadêmica regional e da integração latino-americana. “A AUGM defende a educação superior como um direito humano universal e um bem público e social”, afirmou.

Sosa também enfatizou o caráter solidário das ações desenvolvidas pela rede. “O financiamento dos programas é feito pelas próprias universidades, em uma lógica de cooperação solidária e reciprocidade”, explicou. Durante a apresentação, ele abordou programas de mobilidade acadêmica, integração regional e cooperação científica desenvolvidos pela associação, além da importância da extensão universitária como espaço de produção compartilhada de conhecimento comprometido com o desenvolvimento social da América Latina.

O secretário executivo também ressaltou a presença cada vez mais ampla da AUGM em espaços de articulação universitária na região, como encontros promovidos pela Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) e o 4º Encontro das Universidades Públicas Paulistas. Segundo Sosa, a participação da rede nesses fóruns busca fortalecer alianças estratégicas com sistemas nacionais de ensino superior e ampliar o alcance das ações desenvolvidas pela associação. “É uma forma de fortalecer a rede e fazer com que o trabalho realizado pela AUGM possa ser aproveitado por todas as universidades públicas da região.”

Articulação entre as universidades e próximos passos do encontro
Para Laís Fraga, que compôs a comissão organizadora ao lado de Maria Eugênia Porém,  assessora da Proec da Unesp, Ricardo Uvinha, assessor técnico de gabinete da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (Preceu) da USP, e Rubia Sena, da equipe de projetos estratégicos da ProEEC Unicamp, o encontro reforçou a construção de uma agenda coletiva entre as universidades estaduais paulistas. “Ao amadurecer a atuação conjunta e o intercâmbio de experiências, o 4º Encontro fortaleceu a cooperação entre USP, Unesp e Unicamp na cultura e na extensão. A profundidade dos debates sobre acessibilidade, internacionalização e inserção curricular, aliada à expressiva participação da comunidade, confirmou o êxito do evento”, afirmou.

Ao final do evento, os pró-reitores reforçaram a importância da continuidade da iniciativa, destacando o fortalecimento das redes construídas entre os participantes e a necessidade de ampliar a participação de novos docentes e gestores nos próximos encontros. A próxima edição do evento será sediada pela Unesp, em 2027.

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