Texto: Ana Ornelas | Fotos: José Irani
A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp realizou, na última terça-feira (10), a cerimônia de integração da equipe que atuará na segunda turma do Programa de Formação em Saúde Brasil-Angola. A partir de agosto, 31 médicos angolanos participarão de um período de formação de cerca de seis meses em unidades básicas de saúde dos municípios de Monte Mor e Santo Antônio de Posse, além das atividades de ensino e extensão que serão desenvolvidas na Unicamp. A iniciativa, organizada pela Secretaria de Extensão da FCM, dá continuidade a uma parceria que, desde 2004, possibilitou a capacitação de mais de 200 profissionais da saúde angolanos na universidade.
Representando a pró-reitora de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), professora Sylvia Helena Furegatti, o assessor docente da ProEEC e executor do convênio entre a Unicamp e o Ministério da Saúde de Angola, professor Rubens Bedrikow, participou da cerimônia ao lado de dirigentes da universidade e representantes dos municípios envolvidos.
Para ele, a formação vai além dos aspectos técnicos da medicina e busca proporcionar uma imersão na realidade brasileira. Bedrikow destacou a experiência da primeira turma, recebida pela universidade em 2025, e o impacto da convivência dos profissionais angolanos com o Sistema Único de Saúde brasileiro. “Eles se encantaram com o que a gente faz. Eles se encantaram com os agentes comunitários de saúde, com as visitas domiciliares e com a forma como o SUS se organiza. Eles não vêm apenas para aprender a tratar hipertensão ou diabetes; querem entender como funciona o nosso sistema de saúde”, contou.
Bedrikow destacou também a participação do Extensão sem Fronteiras (EsF), projeto da FCM desenvolvido em parceria com a Unesp que visa à internacionalização universitária por meio da extensão. Com foco em comunicação e saúde, a iniciativa integrará novamente a equipe de acolhimento aos médicos angolanos.

Representando o município de Monte Mor, o secretário municipal de Saúde, Wagner Tegon, destacou a relevância da atenção primária à saúde para o fortalecimento do SUS e para a formação dos profissionais que participarão do programa. “Quando resolvemos a atenção primária, resolvemos entre 80% e 90% dos problemas de saúde da população. Esses colegas que vêm de Angola terão a oportunidade de conhecer essa visão e levar para seu país uma experiência construída a partir da implantação do SUS”, disse. Tegon também ressaltou que a participação dos municípios na iniciativa fortalece a integração entre a universidade e as cidades da região
O prefeito de Santo Antônio de Posse, José Ricardo Cortez, complementou e destacou o envolvimento das equipes municipais de saúde na recepção dos médicos. “Tenho certeza de que nossos colaboradores vão mostrar a realidade da saúde para esses profissionais, mas também vão aprender bastante com eles. É um povo bastante guerreiro e essa troca será importante para todos.”
Além da participação dos representantes municipais, a cerimônia também reuniu docentes responsáveis pela coordenação da cooperação Brasil-Angola na universidade. Durante a cerimônia, o coordenador da cooperação Brasil-Angola na FCM, Francisco Hideo Aoki, relembrou a trajetória da parceria e destacou o impacto da formação oferecida pela universidade ao longo de mais de duas décadas. “Hoje contamos com mais de 200 médicos treinados e mais de 50 profissionais de outras áreas capacitados em nossa instituição e serviços associados. Cada profissional retorna ao seu país levando uma capacitação muito poderosa, construída a partir da vivência do sistema público de saúde brasileiro”, afirmou.

O professor também ressaltou a importância da participação dos municípios que receberão os profissionais nesta nova etapa do programa. “Cada médico que será treinado nas cidades de vocês levará de volta a experiência da atenção primária à saúde e do SUS, um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Certamente eles aprenderão conosco, mas nós também aprenderemos muito com eles por meio dessa troca cultural e de experiências”, disse.
A coordenadora de Extensão da FCM, professora Roberta Vacari de Alcântara, destacou o papel da universidade pública na construção de parcerias voltadas ao desenvolvimento social. “A celebração desta parceria reafirma um dos compromissos mais importantes da universidade pública: colocar o conhecimento produzido em seus espaços acadêmicos a serviço da sociedade, promovendo o desenvolvimento humano, científico e social. Essa parceria contribuirá para o fortalecimento da formação médica em Angola e, ao mesmo tempo, proporcionará importantes oportunidades de aprendizado para professores e profissionais dos serviços de saúde da região de Campinas”, afirmou.
Responsável pela orgnização do evento, Rosemeire A. de Oliveira, destacou que a cerimônia teve como objetivo fortalecer a articulação entre a universidade e os municípios participantes do programa. “Este encontro representa um passo importante para consolidar essa iniciativa, que contribui para o fortalecimento da cooperação internacional entre Brasil e Angola e para a qualificação da formação dos profissionais de saúde. Além disso, promove a integração entre gestores, profissionais e representantes da universidade, fortalecendo os vínculos institucionais e a troca de experiências em torno da atenção primária à saúde e da Medicina de Família e Comunidade.”
O diretor da FCM, professor Cláudio Saddy Rodrigues Coy, ressaltou a importância da participação dos municípios na iniciativa e o compromisso da universidade pública com a região.“A universidade está em Campinas, mas ela não é de Campinas. Como universidade pública estadual, essa cooperação com as cidades da região faz parte da nossa obrigação”, concluiu.
Sobre o Programa de Formação em Saúde Brasil-Angola
O programa de Formação em Saúde Brasil – Angola é fruto de demanda apresentada pelo governo angolano em 2023 ao Governo Federal brasileiro, que culminou com a assinatura de cooperação entre os países em 23 de abril de 2024, por meio dos Ministérios das Relações Exteriores, da Saúde e da Educação do Brasil. A execução do Programa é feita por uma série de Universidades e Instituições públicas de saúde do país, dentre elas a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, que já tem uma longa história de parceria com o Ministério da Saúde de Angola.
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