Texto: Ana Ornelas | Imagem: Divulgação
O uso de plantas para fins medicinais atravessa gerações nas famílias brasileiras. No entanto, nem sempre há conhecimento sobre a forma correta de preparo e consumo. Essa é a reflexão que orienta a palestra da professora Mariana Nagle dos Reis, que será realizada dia 26, às 14h, no auditório do Grupo Gestor de Benefícios Sociais (GGBS), juntamente com o grupo da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).
A palestra integra as ações do projeto Sábio Jardim, realizado na Casa do Lago, espaço da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC). A iniciativa busca ampliar o debate sobre o uso de alternativas naturais no cuidado com a saúde, tema que tem ganhado cada vez mais espaço no cotidiano. Segundo a professora Mariana, que ministra a Oficina do Sábio Jardim e é mestre e doutora pela Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp (Feagri), a iniciativa surgiu da necessidade de dialogar com esse público e despertar o interesse pelas ações formativas do projeto. “A gente quis pensar em uma abordagem que dialogasse com esse público, trazendo um tema atual, mas de forma simples e próxima da realidade deles”, afirmou.
Durante a atividade, serão discutidos os limites entre o uso seguro e o uso arriscado das plantas medicinais. Segundo Mariana, embora muitas práticas estejam baseadas em conhecimentos transmitidos entre gerações, nem sempre há clareza sobre aspectos fundamentais. “As pessoas acabam usando as plantas com um conhecimento vindo da própria ancestralidade. Só que como é que a gente sabe se aquela dosagem que a gente está tomando é certa?”, questionou
A docente chama atenção para a ideia, bastante difundida, de que produtos naturais são sempre seguros. “Existe uma ideia muito comum de que, por ser natural, é sempre seguro. Mas não é bem assim. A diferença entre o remédio e o veneno está na dose”, completou.
A palestra também abordará situações que exigem maior cautela, como o uso por gestantes, idosos, pessoas com doenças crônicas ou que fazem uso contínuo de medicamentos, considerando possíveis interações medicamentosas. Outro aspecto tratado será o modo de preparo. Fatores como secagem, armazenamento e forma de utilização podem interferir diretamente na eficácia das plantas. “Às vezes a pessoa usa achando que está se beneficiando, mas a planta seca já perdeu seus princípios ativos”, explicou.
Apesar dos alertas, a proposta da atividade não é desencorajar o uso de plantas medicinais, mas promover o uso consciente, com base em informação qualificada. A professora Mariana destaca o potencial ainda pouco explorado no país. “A gente tem 20% de toda a biodiversidade mundial no Brasil, e exploramos muito pouco disso.”
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