Texto: Ana Ornelas | Fotos: Arquivo pessoal
“Toda política pública deve estar até uma hora e meia de distância máxima do cidadão; caso contrário, não pode ser considerada política pública.” A reflexão, apresentada durante o 57º Encontro Nacional do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras (Forproex), esteve entre os destaques apontados pela pró-reitora de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC) da Unicamp, Sylvia Furegatti. O evento, realizado entre 1º e 3 de junho na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, reuniu representantes de instituições públicas de todo o país para discutir os desafios e os avanços da extensão universitária brasileira sob o tema “Saberes em Diálogo, Participação Social e Inovação Transformadora”.
Para Sylvia, o evento manteve seu caráter transdisciplinar em termos de representatividade dos campos de conhecimento e de representação institucional. Além dos convidados representantes das esferas nacionais e estaduais, houve uma continuidade importante da participação de palestrantes vinculados aos ministérios federais, fortalecendo o diálogo entre as universidades e as políticas públicas nacionais. “O Forproex passa a atuar como associação, ampliando sua capacidade de interlocução e representação junto aos diferentes níveis governamentais e à sociedade. Trata-se de um movimento importante para fortalecer institucionalmente a extensão universitária e ampliar sua participação nos espaços de formulação de políticas públicas”, afirmou.
Entre os destaques do encontro, Sylvia menciona a fala de Sérgio Godoy, diretor de formação e pesquisa da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, que abordou a transversalidade da economia solidária entre diferentes ministérios. “A discussão foi apresentada à luz dos processos de industrialização e da expressiva participação popular na construção de tecnologias de inovação social, tendo o Rio Grande do Norte como referência nacional em termos de engajamento populacional nessa área”, explicou a pró-reitora.

Outro ponto debatido que merece atenção, segundo a pró-reitora da ProEEC, é a baixa sistematização de editais federais destinados às universidades estaduais. “O Programa Mais Universidades, do Ministério da Educação (MEC), por exemplo, não contemplou essas instituições, assim como outros editais recentes voltados aos institutos federais. Diante desse cenário, os fóruns de pró-reitores têm buscado ampliar a interlocução institucional junto ao Ministério da Educação para garantir maior inclusão das universidades estaduais e municipais nas políticas de fomento”, comentou Sylvia.
Em relação aos avanços da extensão na pós-graduação, Sylvia destacou a fala do coordenador-geral da CAPES, professor Júlio Cesar Piffero de Siqueira, que comentou sobre a necessidade de reduzir as assimetrias existentes nos mecanismos de fomento e anunciou novos investimentos destinados à área. Segundo ele, a extensão passa a integrar, pela primeira vez, o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), representando um avanço histórico para as universidades brasileiras.
Para Sylvia, outro momento importante foi durante a mesa da professora Raquel Leite Braz, na qual ela discutiu o papel extensionista da cultura a partir das políticas e projetos reconhecidos pelo Fórum de Gestão Cultural das Instituições Públicas de Ensino Superior Brasileiras (Forcult). “O aspecto popular e a transversalidade própria da cultura e da arte foram temas centrais da mesa, ampliados pelas contribuições dos professores Guilherme Bertissolo, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Esdras Marchezan, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), que reforçaram uma compreensão ampla e regionalizada da cultura e indicaram a necessidade de que esse tema esteja cada vez mais presente nos documentos e nas ações do Fórum”, concluiu a pró-reitora de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp.
A próxima edição do Encontro Nacional do Forproex já tem data definida: o 58º encontro será realizado entre os dias 1º e 3 de dezembro de 2026, na Universidade Federal de Goiás (UFG), dando continuidade às discussões e articulações em torno das políticas de extensão universitária no país.

Exposição Interlocuções Pluriversitárias
Durante a passagem por Natal, Sylvia também participou da exposição “Interlocuções Pluriversitárias”, realizada no Núcleo de Arte e Cultura (NAC) da UFRN. A mostra reuniu obras de docentes e artistas vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Unicamp, fortalecendo os intercâmbios acadêmicos e culturais entre as instituições.
A iniciativa partiu da própria pró-reitora, que propôs uma curadoria com trabalhos de artistas-professores do programa. Participaram da exposição César Baio, Mauricius Farina, Edson Pfitzner, Sérgio Niculitcheff, Marta Strambi e Sylvia Furegatti, com obras que exploram linguagens como fotografia e gravura.
Segundo Sylvia, a circulação de acervos e obras artísticas entre universidades amplia as possibilidades de atuação dos pesquisadores e fortalece as redes de colaboração no campo das artes visuais. “Essa rede que se forma de pesquisadores em artes visuais no Brasil pode ser muito mais ampliada quando entendemos como processos autorais e trabalhos artísticos podem circular entre universidades”, afirmou.
Ela também destacou a importância das galerias e museus universitários para a formação artística e para a democratização do acesso à cultura. “Esses espaços vêm alcançando elevados níveis de profissionalização e desempenham um papel fundamental na visibilidade e na preservação da produção cultural brasileira. As galerias e museus universitários realizam um trabalho sério de curadoria, montagem e apresentação, fortalecendo o diálogo artístico e a formação dos estudantes”, ressaltou.