“O Agente Secreto” será exibido na Unicamp com debate sobre cinema e sociedade 

Texto: Ana Ornelas | Foto: Divulgação

“Não existe um Brasil, existem muitos Brasis.” A frase do professor Alberto da Silva, pesquisador da cultura e cinema brasileiro e professor associado na Universidade de Sorbonne, ajuda a resumir uma das discussões que estarão presentes na programação dedicada à exibição de “O Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho. O longa será projetado no dia 25 de maio, na ADunicamp, e, no dia 26, estudantes, pesquisadores e convidados participam de um debate sobre as questões políticas, sociais e cinematográficas levantadas pela obra. Ambos os eventos serão às 19h.

Além de Alberto, a mesa contará com a presença de Gabriel Domingues, diretor de elenco do filme. A mediação será realizada por estudantes do Unimídia, coletivo formado por alunos de Midialogia da Unicamp, responsável pela atividade em parceria com a Diretoria de Cultura (DCult) da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC). 

Para Alberto, promover um debate sobre um filme que desloca a narrativa do eixo Rio-São Paulo para o Nordeste é fundamental para ampliar os olhares sobre o cinema nacional contemporâneo. “Eu acho que hoje não existe mais ‘o cinema brasileiro’, no singular. Existem cinemas brasileiros, porque existem muitos Brasis. E o filme do Kleber traz justamente essa outra perspectiva, esse outro território, outras formas de olhar para o país. Isso é muito importante para o cinema contemporâneo”, afirmou. 

Para além da temática da ditadura civil-militar, Alberto aponta que a força do cinema de Kleber Mendonça Filho está justamente na capacidade de dialogar com diferentes públicos sem abrir mão da complexidade narrativa. “Eu acho que o cinema do Kleber consegue dialogar com um público muito amplo. E isso acontece porque ele trabalha com gêneros cinematográficos populares. Mesmo sendo filmes complexos, com narrativas densas, eles passam pelo suspense, pela ficção científica, pelo terror, por elementos muito acessíveis ao público. Isso cria uma ponte entre um cinema autoral e um cinema que consegue alcançar muita gente.”

O professor também destaca a importância de espaços coletivos de reflexão dentro da universidade. “Para mim, enquanto pesquisador, também é interessante ouvir outros olhares sobre o filme. Os estudantes vão ler a obra a partir dos próprios códigos, da própria realidade deles. E é importante entender os códigos culturais presentes no filme e pensar o cinema como uma criação coletiva, que envolve direção, elenco, montagem, figurino, direção de arte e tantas outras pessoas”, explicou. 

Segundo Antonio Parice Bufalo, integrante do Unimídia, a escolha de “O Agente Secreto” surgiu da proposta de democratizar o acesso a uma produção que ganhou destaque no cenário cinematográfico brasileiro. “É claro que muita gente já viu o longa, mas é outra experiência assistir na universidade, com os amigos. A gente também achou interessante promover uma mesa de debate sobre o filme. A mediação será feita pelo Felipe e pela Isadora, que são colegas nossos e fazem parte da equipe do Unimídia”, comentou. 

O professor Noel dos Santos Carvalho, coordenador adjunto da DCult, reforça a importância da parceria entre a Diretoria de Cultura e o coletivo estudantil. “Projetar os filmes é importante, mas o que procuramos fazer é dar um passo a mais. Utilizamos os filmes para juntar pessoas, para nos conhecermos melhor e falarmos de cinema, sociedade, política e cultura. Então, é também um momento de celebrar o encontro físico e aprendermos coletivamente uns com os outros”, destacou.

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