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Extensão 48 aborda a revitalização de línguas indígenas

Grupo de pesquisa do IEL atua com as comunidades Indígenas no processo de revitalização dessas línguas



| Autor: Dário Mendes

 

O Brasil é um país multilíngue, estima-se que mais de mil línguas foram extintas desde a chegada dos colonizadores. Hoje, no país são faladas mais de 150 línguas nativas, muitas sobrevivem com um número inferior a dez falantes, portanto sob o risco eminente de desaparecimento.

As culturas indígenas são dinâmicas e por isso se transformam ao longo do tempo, mesmo sem uma influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português.

A nulificação dos idiomas minoritários acontece por uma série de fatores, que vão desde a imposição da cultura dominante até o acesso restritivo dos povos nativos aos meios de produção e catalogação do seu próprio material etnográfico.

A formulação de uma política linguística é imprescindível para a preservação das línguas originárias no Brasil. Nessa linha, uma ação de pesquisadores da Unicamp investe na revitalização e documentação das línguas indígenas no Estado de São Paulo.

O grupo de pesquisa liderado pelo linguista e indigenista Wilmar Rocha D’Angelis, professor do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, atua com as comunidades Indígenas no processo de Revitalização de línguas Indígenas do Estado de São Paulo.

 

Professor do Instituto de Estudos da Linguagem Wilmar Rocha D’Angelis, linguista e indigenista

 

A Unicamp possui, no departamento de Estudos da Linguagem, uma área de línguas indígenas que pode ser considerada hoje uma das que mais forma pesquisadores de línguas indígenas do Brasil. O departamento de linguística, no Instituto de Estudos da Linguagem, tem como ação de extensão universitária um programa de Revitalização de Línguas Indígenas no estado de São Paulo.

Esse trabalho vem sendo realizado desde 2013 e conta com parceiros, como o grupo de pesquisa InDIOMAS, a ONG chamada Kamuri e com a Funai da região. Seus resultados podem ser observados em algumas comunidades indígenas, tais como a revitalização da Língua Nhandewa Guarani ou Tupi-guarani, o Kaingang Paulista, que é um dileto em via de extinção, o Krenak em São Paulo, desmembrado de Minas Gerais, e o Terenas, outra comunidade desmembrada do Mato Grasso.

 

 

O Projeto: Esse trabalho de revitalização dos quatro dialetos indígenas é feito por meio de oficinas nas aldeias e também por levantamento linguístico. Assim, tem-se o resultado com a participação de professores das aldeias envolvidas de cada etnia e, com isso, há um grande grupo de aldeias do estado de São Paulo que é beneficiado com essas ações.

O processo de obsolescência que as línguas vinham sofrendo foi realmente revertido por meio do programa de revitalização, podendo ser vista em locais onde o dialeto está novamente vivo, falado, apreciado e estudado. Foi produzida uma série de publicações com as comunidades envolvidas, com materiais impressos, como gramática pedagógica, livro de textos, vocabulário e um dicionário.

Do ponto de vista da extensão da Universidade, essas atividades refletem diretamente no ensino, pois a participação no programa é mútua, em que participa o docente e o aluno. Para que tenhamos uma certa noção, há projetos que compreendem mais de mil horas de trabalho voluntário, envolvendo alunos de mestrado, doutorado, graduação e os professores linguistas. Isso é cedido pela Unicamp para que as comunidades possam ser beneficiadas com o programa.

No grupo de pesquisa, portanto, há um envolvimento imenso de todos, e por parte dos alunos já se resultou na formação de quatro professores que atuam em universidades federais. E assim, novos alunos ingressam de tempos no programa de revitalização de línguas indígenas.

Para o professor Wilmar D’Angelis, o trabalho tem como objetivo atender aos interesses e necessidades dessas comunidades indígenas, e, assim, cria-se uma parceria, uma relação de afetividade que vai além de “consultorias”, até mesmo de confiança. “Todo o trabalho acaba sendo prazeroso, não só por eles, mas também com o tipo de atividade”, finaliza D’Angelis.