Texto: Ana Ornelas | Fotos: Arquivo Pessoal
“Acabei criando gosto por estudar.” A frase de Ray Anthony Sampaio dos Santos, 19, resume uma experiência compartilhada por muitos estudantes do Cursinho Popular Colmeias, da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC). Mais do que um espaço de preparação para vestibulares, o projeto se tornou um lugar de acolhimento, amizades e recomeços.
Para Ray, que hoje cursa Medicina na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Colmeia, além de um espaço de estudo e aprendizagem, se consolidou como um ambiente de acolhimento. “Os professores eram muito próximos da gente, entendiam a nossa realidade porque muitos já tinham passado pelo que a gente estava vivendo. Eles davam apoio, tinham paciência, tiravam dúvidas e faziam a gente se sentir acolhido. Não era só estudar para o vestibular. Tinha conversas, eventos, festas e isso acabou criando uma rede de apoio muito forte”, contou.
Apesar de ter concluído o Ensino Médio sem ter definido qual carreira seguir, Ray percebeu que o Colmeia poderia ser um apoio nessa nova fase. “Eu entrei no cursinho porque sabia que, do jeito que tinha sido meu terceiro ano, sozinho eu não conseguiria. Comecei pensando em outros cursos, mas fui entendendo melhor o que queria. No fim, a aprovação em Medicina veio como uma surpresa. Eu estava tranquilo, sem aquela pressão exagerada, e quando vi o resultado foi um choque. Fiquei muito feliz.”
Para Manu Mantovani, o caminho até o Colmeia aconteceu de maneira diferente. Embora já cursasse Biologia em uma instituição particular, ela decidiu prestar novamente o vestibular em busca de uma vaga em uma universidade pública. “Meu sonho sempre foi fazer Biologia. Eu estava em uma faculdade particular, mas não estava dando certo. Decidi trancar o curso depois de dois anos e começar tudo de novo. Foi uma loucura, mas eu pensei: ‘É isso que eu quero e eu vou fazer dar certo’. E deu muito certo.”

Mesmo ingressando em agosto, no segundo semestre do ano letivo, Manu reforça como a qualidade do Colmeia foi imprescindível para seus estudos. “Os cursinhos presenciais de qualidade são caros, e muita gente não consegue pagar. O Colmeia é gratuito e, ao mesmo tempo, extremamente preparado. É muito importante existir um espaço assim, porque muitas pessoas terminam o ensino médio sem esperança de conseguir estudar ou acabam tentando sozinhas em casa, o que é muito mais difícil. O Colmeia está aí para mostrar que é possível.”
Atualmente, Ray cursa Medicina na Unesp, em Botucatu, enquanto Manu ingressou em Ciências Biológicas na Unicamp por meio da modalidade Enem-Unicamp, utilizando a política de cotas para pessoas trans implementada pela universidade. As trajetórias dos dois se somam às mais de 200 aprovações conquistadas pelos estudantes do Programa Colmeias neste ano, evidenciando o papel do cursinho popular na ampliação do acesso ao ensino superior e na construção de oportunidades para diferentes realidades.
Sobre o Programa Colmeias
Criado em 2010 na Unicamp Limeira, o Programa Colmeias oferece cursinhos pré-vestibulares para estudantes de escolas públicas e, desde 2019, também para comunidades quilombolas, indígenas e jovens da Fundação Casa. Integrado à ProEEC, o programa apoia oito cursinhos presenciais e virtuais, com bolsas para docentes e ações de permanência estudantil. Já beneficiou milhares de alunos e registra aprovações em cursos de graduação e colégios técnicos, ampliando o acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho.
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