Texto: Ana Ornelas | Fotos: Juliana Hellmeister
Redondo, feito de aço e apoiado sobre o colo, o handpan emite sons que não se limitam à escuta, mas vibram no corpo. Instrumento ainda pouco conhecido no Brasil, ele é o protagonista de “Confluência”, disco do percussionista Alessandro Reiner, que será lançado no dia 7 de março, às 18h, no CIS-Guanabara, espaço da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC) da Unicamp.
Formado em Antropologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Reiner construiu sua carreira musical a partir da pesquisa de diferentes culturas sonoras e ritmos do mundo. Ao longo dos anos, atuou como percussionista em projetos de música brasileira, árabe, flamenca, latino-americana e celta, além de acompanhar cantores, bandas e espetáculos de dança. Esse percurso, no entanto, sempre o colocou em um papel coadjuvante no palco, algo que despertou o desejo de desenvolver uma obra autoral.

“Antes de ser músico, eu sou artista. Eu sentia uma necessidade muito grande de expressar algo que fosse meu, uma linguagem própria”, contou. Esse impulso encontrou forma a partir de 2018, quando Reiner passou a se dedicar ao handpan, instrumento criado nos anos 2000 na Suíça e conhecido por sua forte vibração sonora e corporal.
Segundo o músico, o handpan vai além da escuta tradicional. “É um instrumento que você não escuta só com os ouvidos. Ele vibra no corpo. Quando você toca com ele no colo, a sensação é muito forte, quase terapêutica”, explicou. Essa característica fez com que o instrumento se tornasse frequente em práticas de meditação, yoga e terapias sonoras.
Assim, a partir de um edital de 2025 do FICC (Fundo de Investimentos Culturais de Campinas) o álbum “Confluência” reúne composições autorais que propõem encontros entre o handpan e instrumentos de diferentes tradições musicais. O nome do álbum faz referência ao fenômeno natural em que dois rios se encontram e dão origem a um terceiro. “A ideia não é só juntar dois elementos, mas criar algo novo a partir desse encontro”, explicou Reiner.

O disco promove diálogos entre o handpan e instrumentos como pífano, violoncelo, violino, violão, além de ritmos africanos, árabes, latino-americanos, reggae, música eletrônica e elementos percussivos diversos.
Apesar de majoritariamente instrumental, o álbum inclui uma faixa cantada com mantras em sânscrito, interpretados por Rodrigo Duarte. “O cuidado com a pronúncia e com o sentido do mantra era fundamental. Não dava para tratar isso de forma superficial”, destacou o percussionista.
O lançamento no CIS-Guanabara marca o primeiro encontro do público com o disco, que posteriormente será disponibilizado nas plataformas digitais. Para Reiner, apresentar “Confluência” em um espaço cultural ligado à universidade reforça o caráter de pesquisa e troca que atravessa todo o trabalho. “Esse disco é fruto de estudo, escuta e diálogo. Ele nasce desse desejo de cruzar caminhos, culturas e sons”, finalizou.