Texto: Ana Ornelas | Foto: Divulgação
Carlos, um jovem de classe média, tenta dar sentido à própria vida enquanto trabalha na indústria automobilística em meio à engrenagem impessoal do progresso. Na São Paulo dos anos 1950 e 60, ele vive um conflito existencial diante da alienação do trabalho e expectativas de ascensão social. O filme, de Luiz Sérgio Person, constrói um retrato crítico e, muito atual, da lógica empresarial do crescimento urbano que moderniza a cidade.
Após 60 anos de sua estreia, o longa será exibido na Casa do Lago, espaço da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), em uma edição do Cine DCult da Diretoria de Cultura (DCult). Depois da sessão, que acontece no dia 18 de agosto, às 19h, haverá um bate-papo com Marina Person, filha do cineasta que escreveu e dirigiu o filme.
Com apenas cinco longa-metragens dirigidos, Person deixou sua marca no cinema brasileiro e também atuou de forma decisiva fora das telas, sendo responsável por iniciativas pioneiras no teatro com a criação do Auditório Augusta e na criação da distribuidora RPI (Reunião dos Produtores Independentes) na área da circulação cinematográfica.
O reconhecimento de “São Paulo, Sociedade Anônima” (1965) ultrapassou fronteiras. O filme foi escolhido como representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 38ª edição do Oscar. Parte dessa força vem também de seu elenco, que reúne nomes como Walmor Chagas, Eva Wilma, Otelo Zeloni, Ana Esmeralda e Darlene Glória.
Sinopse resumida
Lançado em 1965, São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, é um marco do cinema novo paulista e um retrato intenso da metrópole em plena industrialização. A história acompanha Carlos, um jovem de classe média que, ao trabalhar na indústria automobilística, tenta dar sentido à própria vida em meio à engrenagem impessoal do progresso. Narrado em primeira pessoa e estruturado em fragmentos de memória, o filme expõe o desencanto de uma geração que vê o crescimento econômico caminhar junto da alienação e do vazio existencial. Nele, São Paulo surge como personagem viva, moderna, caótica e desumanizadora, espelho de um país em transição. Com linguagem inovadora e crítica social aguda, a obra de Person permanece atual ao revelar o custo humano da busca incessante por desenvolvimento e status.
Ficha técnica
Direção: Luiz Sérgio Person
Roteiro: Luiz Sérgio Person
Elenco: Walmor Chagas, Darlene Glória, Otelo Zeloni, Ana Esmeralda, Eva Wilma
Produção: Renato Magalhães Gouveia
Fotografia: Ricardo Aronovich
Montagem: Glauco Mirko Laurelli
Música: Cláudio Petraglia, Francisco Alves e David Nasser
Duração: 107 min
País: Brasil
Confira o trailer do longa.