“Capoeira para Todos” promove debates sobre saúde, cultura e formação na Unicamp 

Texto: Ana Ornelas | Foto: Divulgação

A capoeira, além de ser uma manifestação ancestral de resistência e coletividade, também abre espaço para debates sobre saúde, alimentação, qualidade de vida e consciência corporal. É com essa proposta que a segunda edição do evento “Capoeira para Todos” reúne, entre os dias 22 e 24 de maio, palestras, vivências culturais e rodas de capoeira em Campinas. Promovido pela Diretoria de Esportes da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), o evento busca fortalecer a capoeira como espaço de formação, integração e valorização da cultura popular. 

Para o organizador do evento, professor Canela, a proposta da programação é aproximar diferentes manifestações culturais e ampliar as discussões sobre a capoeira para além da prática corporal. “O evento foi pensado para unir cultura, saúde e formação dentro da capoeira. Teremos palestra sobre treinamento e alimentação, vivência de Jongo e atividades culturais no nosso espaço. A proposta é promover troca de conhecimento e fortalecer a capoeira como prática cultural e educativa”, contou. 

Na Unicamp, a programação contará com uma palestra realizada no auditório da Faculdade de Educação Física (FEF), na sexta-feira (22), das 14h às 16h. A atividade será conduzida pela professora Perla, do Rio de Janeiro, que trará reflexões sobre o Jongo e suas relações com a cultura popular brasileira, e pelo professor Batman, de Porto Alegre, que abordará temas ligados à alimentação, treinamento e consciência corporal dentro da capoeira. 

Segundo Batman, a proposta é ampliar o debate sobre saúde e qualidade de vida entre os praticantes da modalidade. “Hoje a gente luta contra uma pandemia de pré-diabetes, diabetes, resistência à insulina e inflamação crônica, problemas diretamente relacionados à alimentação. A ideia da palestra é trazer conscientização, mostrando como escolhas alimentares simples e acessíveis podem melhorar a qualidade de vida, a longevidade articular e muscular e o desempenho dos praticantes de capoeira”, destacou.

Além das atividades na Unicamp, a programação segue no sábado (23), no Ponto de Cultura Origens, espaço voltado às atividades culturais e comunitárias do grupo. O dia contará com vivências de Jongo, rodas de capoeira e debates sobre alimentação, treinamento e saúde, promovendo a integração entre participantes de diferentes trajetórias dentro da cultura popular. Já no domingo (24), o encerramento será marcado por uma grande roda de capoeira com alunos de projetos sociais, participantes de diferentes cidades e estados, além de apresentações culturais e uma vivência de Jongo com estudantes do projeto.

Em sua fala, o professor Canela também destacou a importância da memória e das tradições presentes na capoeira, incluindo a prática dos apelidos entre os participantes. “Na época da escravidão, muitos escravizados disfarçavam a luta como se fosse dança, uma forma de lutar pela própria liberdade. Nesse processo, acabavam perdendo seus nomes e histórias, e os apelidos surgiram como uma marca de identidade. Até hoje mantemos essa tradição, escolhendo os apelidos de acordo com a personalidade de cada pessoa”, explicou.

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